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SEM ECONOMISTAS NEGROS, POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL AFETAM MAIORIA DA POPULAÇÃO

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    TXV
  • 16 de ago. de 2020
  • 2 min de leitura

A baixa presença de pessoas negras na área de economia, segundo a avaliação de economistas negros ouvidos pela Folha Press, é particularmente problemática na medida em que tem impactos na formulação de políticas públicas.

Redação TXV(*) - 16/agosto/2020

O problema da falta de representatividade de negros na economia, enquanto área do conhecimento, começa nos cursos de graduação.



No entendimento da analista do IBGE, Sunthia Santana, "a falta de diversidade impacta” uma vez que “é difícil se colocar no lugar do outro." "Não conseguimos formular, analisar e avaliar políticas públicas sem conhecer realidade distintas no país", diz ela.

Para Mario Theodoro, membro da ABED (Associação Brasileira de Economistas pela Democracia), o problema tem origem no racismo estrutural. Ele afirma que "a elite do país não tem a cor da sua população e isso é uma catástrofe, porque as decisões tomadas pelas elites não levam em consideração os anseios da população".

Por sua vez o estudante Bruno Gomes declara que "há hoje uma espécie de 'pacto do economista branco', um privilégio de eles nunca pensarem os efeitos de suas políticas na população negra e pobre”. Deste modo “a presença de negros e da população de origem pobre importa, a falta de diversidade, afeta o que é estudado e como é estudado".

"Precisamos de espaço, de protagonismo nas discussões públicas, nos jornais e nas decisões políticas que nos afetam, por isso criamos a REPP (Rede de Economistas Pretas e Pretos)."

A REPP foi criada em junho passado visando ampliar o espaço desses especialistas no debate público de questões econômicas. O grupo reúne atualmente cerca de 30 economistas e estudantes de economia negros. Trata-se de uma rede de apoio mútuo e também de discussão para intervenção no debate público.

Problema começa na graduação

Levantamento feito pela Folha a partir de dados do Censo do Ensino Superior do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) mostra que, em 2018, apenas 30% dos concluintes de cursos de graduação em economia se declaravam pretos ou pardos.

O percentual tem crescido aos poucos – era de 27,1% em 2013, ano seguinte à criação da Lei de Cotas, que instituiu a reserva de vagas em instituições federais de ensino superior, por critérios de renda e raça.

Mas ainda é muito inferior à presença de negros na população brasileira, que é de 56% segundo dados do IBGE de 2019 (considerando os que se declaram pretos e pardos), e à parcela de negros concluintes de cursos de graduação em geral, que chegou a 41% em 2018, segundo os dados do Inep.

Em 2013, essa parcela era de 33%, subindo a 38% em 2018. O que indica que estudantes pretos e pardos também enfrentam dificuldades maiores do que seus pares brancos para se manter nos cursos.

(*) Com Folha Press

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