ANGOLA: MAIS DE 10 MORTOS PELA POLÍCIA NUMA MANIFESTAÇÃO SEPARATISTA DA REGIÃO DOS DIAMANTES.
- TXV
- 1 de fev. de 2021
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TXV(*) – 01/fevereiro/2021

Forças de segurança reprimem protesto do Protetorado Lunda Tchokwe, em 2017.
Líderes de uma frente separatista na província da Lunda Norte, na região nordeste de Angola, informaram ter registrado 15 mortes e 19 feridos em confrontos ocorridos entre manifestantes do movimento e forças de ordem, no passado sábado (30/01), na vila mineira de Cafunfo, município do Cuango.
A versão da Polícia contesta os separatistas e aponta pelo menos quatro pessoas mortas na sequência do que chama de “ato de rebelião armada”, envolvendo um grupo de 300 manifestantes ligados ao Protetorado Lunda Tchokwe, organização que reclama a autonomia da região que integra as províncias diamantíferas da Lunda Norte e Lunda Sul.
O movimento Protetorado tinha agendado uma manifestação para o sábado (30) mas os dirigentes denunciaram a detenção de vários membros nos últimos dias por parte das autoridades; um total de 12 pessoas estão presas desde o dia 16 de janeiro.
A Polícia, no entanto, relata que por volta das 4 horas os manifestantes, armados com armas de fogo, armas brancas, paus e ferros, tentaram invadir uma esquadra (delegacia) para ocupa-la e colocar uma bandeira do seu movimento. Nesse ato, segundo a informação policial, dois oficiais foram feridos e, na reação, quatro pessoas foram mortas e outras cinco ficaram feridas durante a tentativa de dispersão.
A liderança da organização independentista disse à imprensa que se tratava de uma manifestação pacífica e que os manifestantes não estavam armados, com diz a Polícia. Segundo José Mateus Zecamutchima, presidente do Movimento, a manifestação foi informada ao governo provincial como a lei determina, porém, as forças de segurança avançaram contra os manifestantes quando estes se dirigiam para o local marcado para a concentração.
O comandante-geral da Polícia Nacional, comissário-geral Paulo de Almeida, ordenou a abertura de um inquérito para apurar as circunstâncias em que surgiram as mortes e feridos.
Observadores salientam que a população da região das Lundas é socialmente pobre; a falta de saneamento básico, a falta de água, da energia eléctrica, ruas esburacadas, vias de comunicação em elevado nível de degradação, tem contribuído para o elevado nível de insatisfação popular.
Pelo menos um órgão de comunicação, o Club-K assinala que a manifestação terá contado também com a participação de mulheres camponesas cujas lavouras foram recebidas pelas empresas mineiras, que não contribuiem para o desenvolvimento da região. Terão participado igualmente ex-trabalhadores da Endiama (empresa estatal de exploração de diamantes), que ficaram sem pensões e sem indemnizações pelos anos de trabalhos na companhia.
O Movimento do Protetorado Lunda Tchokwe reivindica a autonomia das províncias da Lunda Norte e Lunda Sul, rica em diamantes, com base num Acordo de Protetorado celebrado entre nativos Lunda-Tchokwe e Portugal no período de 1885/894, que daria ao território um estatuto internacionalmente reconhecido.
O movimento reclama que Portugal teria ignorado a condição da região Lunda-Tchokwe quando negociou a independência de Angola apenas com os movimentos de libertação entre 1974/1975.
(*) Com agências
Seria tudo evitado se o Estado beneficiasse as regiões produtoras de diamantes com royalties, que fossem justos, de acordo com a contribuição que representam na economia do país, nem mesmo o tal Movimento separatista teria força suficiente para avançar.