MANIFESTAÇÕES NA NIGÉRIA JÁ CUSTARAM À ECONOMIA 1,8 BILHÃO DE DÓLARES NOS ÚLTIMOS 12 DIAS
- TXV
- 21 de out. de 2020
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TXV(*) - 21/outubro/2020

Nigéria: os manifestantes #EndSARS que se reuniram na Lekki Toll Plaza para protestar contra a violencia policial.
As manifestações na Nigéria sobre as brutalidades policiais estão tendo um efeito negativo na economia do país. De acordo com a Câmara de Comércio e Indústria de Lagos (LCCI), os protestos em todo o país custaram à economia do país 1,8 bilhão de dólares nos últimos 12 dias.
De acordo com um comunicado do Presidente da Câmara de Comércio, Toki Mabogunje, a LCCI aprecia o valor do engajamento dos cidadãos e a demanda por responsabilidade que o protesto EndSARS essencialmente representa.
Mabogunje disse que as manifestações foram impactantes e profundas, acrescentando que o protesto alcançou alguns resultados significativos, dado o novo despertar que gerou na reforma das deficiências na governança política da Nigéria e o fato de que algumas das demandas dos manifestantes foram atendidas.
A Nigéria ainda está se recuperando dos choques da pandemia e lutando para se recuperar de seus efeitos devastadores. Pela primeira vez em mais de uma década, a economia da Nigéria está em recessão. A indústria do petróleo é a principal estância econômica do país.
Na terça-feira (20), as forças de segurança nigerianas abriram fogo contra manifestantes durante protestos na capital comercial Lagos, horas depois que o estado impôs um toque de recolher. Os protestos começaram reclamando contra a brutalidade policial na Nigéria. Testemunhas disseram à Reuters que os soldados atiraram contra os manifestantes no distrito de Lekki, na capital.
A Amnistia Internacional afirmou em comunicado que recebeu "provas credíveis, mas perturbadoras, do uso excessivo da força que causou a morte de manifestantes na portagem de Lekki, em Lagos".
Imagens vistas nas redes sociais mostram inúmeras pessoas manifestando-se enquanto outros nigerianos pedem o fim dos reportados tiroteios. O exército nigeriano em uma postagem no Twitter negou o envio de soldados para atacar os manifestantes #EndSARS que se reuniram na Lekki Toll Plaza.
O governador do estado de Lagos, Babajide Sanwo-Olu, em uma série de tweets, disse que 25 pessoas ficaram feridas. O governador da maior cidade da África também descreveu o incidente com tiroteio na noite de terça-feira como uma das "horas mais negras de nossa história como um povo."
“Como governador de nosso estado, reconheço que a responsabilidade pára na minha mesa e irei trabalhar com o FG (governo federal) para chegar à raiz deste infeliz incidente e estabilizar todas as operações de segurança para proteger as vidas de nossos residentes”, disse Sanwo-Olu.
Lagos, incluindo quatro outros estados da Nigéria, anunciou toque de recolher por tempo indeterminado após alegar que criminosos sequestraram o protesto. Há duas semanas, milhares de pessoas saem às ruas de Abuja e Lagos exigindo o fim da violência policial. Os manifestantes exigiram primeiro o fechamento de uma notória unidade policial, o Special Anti-Robbery Squad (SARS), que há muito é acusado de extorsão, tortura e execuções extrajudiciais.
Após dias de amplo protesto, as autoridades dispersaram a SARS e realocaram o pessoal para outras unidades.
(*) Com agências.
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