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DISCRIMINAÇÃO CONTRA NEGROS CUSTOU 16 TRILHÕES DE DÓLARES À ECONOMIA DOS ESTADOS UNIDOS EM 20 ANOS

  • Foto do escritor: TXV
    TXV
  • 24 de set. de 2020
  • 3 min de leitura

TXV(*) – 24/setembro/2020

Estudo alerta que não agir para reverter as práticas discriminatórias contra os negros pode custar ainda mais à economia dos EUA.


A discriminação de longa data dos Estados Unidos contra grupos minoritários, especialmente os negros, está afetando fortemente a economia do país. Um novo relatório da empresa norte-americana Citigroup afirma que a economia dos EUA perdeu 16 trilhões de dólares devido ao racismo e a discriminação enfrentada pelos negros desde 2000.

O relatório observou que a perda inclui lacunas nos salários, acesso a moradia, acesso ao ensino superior e investimento em negócios de propriedade de negros.

O relatório adiciona à abundância de pesquisas que tentaram quantificar o impacto econômico do racismo sistêmico nos EUA

O Citigroup chegou à cifra de 16 trilhões de dólares estimando que:

· A diferença salarial sofrida pelos negros americanos custou à economia dos EUA 2,7 trilhões de dólares;

· 218 bilhões de dólares foram perdidos como resultado do déficit habitacional entre negros e brancos;

· 90 bilhões a 113 bilhões de dólares se perderam de renda vitalícia, devido à discriminação de acesso ao ensino superior;

· 13 trilhões de dólares perdidos em receita de negócios, nos últimos 20 anos, devido a discriminação nos empréstimos à empresários afro-americanos.

O estudo alertou que não agir para reverter as práticas discriminatórias contra os negros pode custar ainda mais à economia dos EUA. O Citigroup estima que a economia norte-americana pode ter um aumento de 5 trilhões de dólares nos próximos cinco anos, se as diferenças raciais forem eliminadas.

De acordo com o relatório, as lacunas, em muitos casos, permanecem mesmo 60 anos após o movimento pelos direitos civis. Em alguns casos, incluindo nas taxas de propriedade e obtenção de diploma universitário, as lacunas são maiores agora do que nas décadas de 1950 e 1960.

“Essas lacunas são aparentes no desemprego, patrimônio líquido, níveis de dívida, salários, pico de renda, financiamento para empresas, gastos com educação e taxas de prisão e níveis de condenação”, observou o estudo.

“A desigualdade racial sempre teve um custo desproporcional, que se pensava ser pago apenas por grupos sub-representados”, disse Raymond J. McGuire, vice-presidente do Citigroup.

Ele acrescentou: “O que este relatório destaca é que esta tarifa é cobrada de todos nós, e particularmente nos Estados Unidos, esse custo tem um impacto real e tangível na produção econômica”.

“Agora, mais do que nunca, temos a responsabilidade e a oportunidade de confrontar esta doença social de longa data que tem atormentado os negros e pardos neste país durante séculos, contabilizar as perdas econômicas e, como sociedade, se comprometer a trazer maior equidade e prosperidade para tudo”, conclui o executivo.

O Citigroup disse que a taxa de encarceramento entre os negros, o preconceito consciente nas contratações e a repressão aos eleitores, todos esses aspectos concorrem contra os esforços de diminuir a diferença racial nos EUA.

De acordo com William Foster, vice-presidente da Moody's Investor Service, “a representação desproporcional de famílias negras em faixas de renda mais pobres nos Estados Unidos, sugere que essas famílias foram mais afetadas pelas tendências macroeconômicas, que levaram a um amplo aumento na desigualdade”.

“Essas tendências incluem a globalização do comércio, capital e trabalho; deslocamento de mão de obra por meio da automação; requisitos educacionais crescentes juntamente com qualidade de escolaridade altamente desigual; e acesso desigual ao crédito. ”


No ano passado, um estudo da consultoria Mckinsey examinou como a discriminação racial e outras desigualdades reduziram a riqueza dos Estados Unidos. A empresa observou que o PIB do país poderia ser maior, se não existissem as diferenças raciais que existem. “O país tem mais de um trilhão de dólares a ganhar com o esforço”, concluiu o estudo.

(*) Com f2fafrica.com

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