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ZUMBI DOS PALMARES FOI UM “FILHO DA PUTA”, DIZ O PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO PALMARES, OFENSIVAMENTE

  • Foto do escritor: TXV
    TXV
  • 3 de jun. de 2020
  • 2 min de leitura

RDD(*) - 03/junho/2020


“Não tenho que admirar Zumbi dos Palmares, que pra mim era um filho da puta que escravizava pretos”. Essa é uma das falas do presidente da Fundação Cultural Palmares, Sérgio Camargo, ditas numa reunião da instituição realizada no dia 30 de abril, cujo áudio, gravado clandestinamente, vazou e teve trechos publicados no jornal “O Estado de S.Paulo” desta terça-feira (2).

De acordo com o diário, a reunião, que teve a participação de outros dois servidores da fundação, serviu para tratar do desaparecimento de um telefone celular corporativo do próprio Camargo.


Referindo-se a quem poderia ter pego o tal aparelho, Sérgio Camargo atribuiu a culpa a ex-diretores da fundação demitidos por ele, chamando-os de “vagabundos” e, ao movimento negro, de “escória maldita”.


"Eu exonerei três diretores nossos assim que voltei. Qualquer um deles pode ter feito isso. Quem poderia? Alguém que quer me prejudicar, invadindo esse prédio aqui pra me espancar. Quem poderia ter feito isso? Invadindo com a ajuda de funcionários daqui. O movimento negro, os vagabundos do movimento negro, essa escória maldita".


Foi ao longo do encontro que Camargo disparou um xingamento contra o herói afro-brasileiro cujo nome é o da fundação que ele dirige com a missão de promoção da cultura afro-brasileira.


"Não tenho que admirar Zumbi dos Palmares, que pra mim era um filho da puta que escravizava pretos. Não tenho que apoiar Dia da Consciência Negra”, disse Camargo que terminou esclamando: “Que palhaçada é essa?". Além de criticou o Dia da Consciência Negra, ele falou em demitir "esquerdista" e usou os termos "macumbeira" e “filha da puta” para se referir a uma mãe de santo.


"Tem gente vazando informação aqui pra mídia. Vazando pra uma mãe de santo, uma filha da puta de uma macumbeira. [...] Não vai ter nada, nada pra terreiro, da Palmares, enquanto eu estiver aqui dentro. [...] Macumbeiro não vai ter nenhum centavo."


Procurada pelo portal G1, a assessoria de imprensa da Fundação Palmares enviou nota na qual o seu presidente, o próprio Sérgio Camargo, "lamenta a gravação ilegal de uma reunião interna e privada".


A nota “reitera que a Fundação - em sintonia com o Governo Federal - está sob um novo modelo de comando”, que na visão de Camargo é “mais eficiente, transparente, voltado para a população e não apenas para determinados grupos que, ao se autointitularem representantes de toda a população negra, histórica e deliberadamente se beneficiaram do dinheiro público".


A nomeação do jornalista Sérgio Camargo para a presidência da Fundação Palmares ocorreu no fim de novembro de 2019 e causou uma onda de reações. O motivo foi uma série de publicações, nas redes sociais, em que ele relativizou temas como a escravidão e o racismo no Brasil.


Em 4 dezembro, a Justiça Federal do Ceará aceitou um pedido de ação popular e determinou a suspensão a indicação. Dias depois, o governo do presidente Jair Bolsonaro suspendeu a nomeação.


Finalmente, em fevereiro deste ano, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reverteu a decisão da Justiça Federal do Ceará, atendendo a um pedido feito pela Advocacia-Geral da União (AGU), e Camargo assumiu a presidência da Fundação Cultural Palmares.


(*) Com “O Estado de S. Paulo” e G1

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