DW(*) – 27/dezembro/2020

O presidente russo, Vladimir Putin, presidiu uma cúpula Rússia-África em 2019, que teve a presença de mais de 40 líderes africanos, muitos interessados em adquirir armas russas.
A Rússia defendeu neste domingo (27) sua expansão militar na África com a abertura antecipada de uma base naval no Mar Vermelho e o fornecimento de armas à República Centro-Africana (RCA).
A África "é uma região chave para a Rússia, que ano após ano expande sua presença lá", disse o vice-ministro da Defesa russo, Alexandr Fomin, ao jornal Rossískaya Gazeta .
Fumin deu como exemplo dessa expansão a base no Sudão, acordo que foi recentemente assinado por ordem do presidente russo, Vladimir Putin.
“A Rússia está interessada na presença militar na região para combater o terrorismo, a pirataria, o contrabando de armas, drogas e pessoas, além de garantir a segurança da navegação comercial”, afirmou o oficial russo.
Os militares destacaram que a base naval não é dirigida contra nenhum país; apenas visa defender os interesses da Rússia nos oceanos. O acordo, que terá vigência de 25 anos, permitirá que a Rússia coloque navios de propulsão atômica no Sudão.
Em novembro de 2017, o então presidente do Sudão, Omar al Bashir, propôs a Putin a abertura de uma base para se proteger das "ações agressivas dos Estados Unidos", a quem acusou de ser o responsável pela divisão no Sudão do Sul. Por sua vez, Fomin reconheceu que Moscou forneceu veículos blindados de exploração BRDM-2 para a República Centro Africana (RCA) em novembro.
A Rússia anunciou esta semana o envio de 300 militares para a RCA a pedido do Governo deste país, na véspera das cruciais eleições presidenciais e legislativas, que foram precedidas por vários ataques de milícias rebeldes.
“É necessário garantir as condições para um voto pacífico, transparente e livre”, informou o Ministério das Relações Exteriores da Rússia. Na segunda-feira passada, a imprensa francesa, citando um representante do governo da RCA, informou que a Rússia enviou várias centenas de militares a este país africano para ajudar a reprimir uma tentativa de rebelião.
A Rússia tem sido criticada nos últimos anos por aumentar sua presença militar no continente africano na forma de comandos especiais implantados por empresas militares privadas, como a polêmica Wagner, muito ativa na Síria e na Líbia.
Para restabelecer os laços da ex-União Soviética com o continente, Putin presidiu a primeira cúpula Rússia-África em Sochi (Mar Negro) em 2019. A cimeira contou com a presença de 43 líderes africanos, alguns dos quais manifestaram grande interesse em adquirir armas russas. (EFE)
(*) Edição e título: TXV
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