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RELAÇÃO PROIBIDA DE CASAL DE NIGERIANOS ACABA EM SUICÍDIO. TRADIÇÃO IMPEDIA O CASAMENTO.

  • Foto do escritor: TXV
    TXV
  • 16 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

TXV(*) – 16/setembro/2020

No início de setembro um casal de nigerianos, na casa dos trinta anos de idade, suicidou-se. Aconteceu em Okija, no Estado de Anambra, na Nigéria. A tragédia e a razão do suicídio lembram a história ficcional de Romeu e Julieta: os pais dos apaixonados não consentiam o relacionamento.

O casal se envenenou por ter o casamento negado pelos pais em nome de uma tradição discriminatória de castas..



O fato de um dos namorados pertencer a uma linhagem étnica chamada “Osu", de descendente de escravos, era o' motivo da proibição. Por outro lado, existe a linhagem da casta “Ohu”, de descendentes de senhores de escravos. A cultura local impõe a separação entre os “Osu” e os “Ohu”.


Antes de se tirarem suas próprias vidas com veneno, tomando um inseticida chamado Snipper, os jovens deixaram uma nota por escrito, com o título “o racismo disfarçado”, onde salientam duras críticas à tradição que os impedia de se casarem.

TREHOS DA CARTA

“Como podemos nos separar depois de seis anos sólidos de namoro e ficar tão habituados um ao outro?”


“Sempre quisemos passar o resto das nossas vidas juntas, sempre planejamos juntos o nosso futuro. Sempre lutámos para assegurar um futuro melhor. Agora que as coisas estão gradualmente mudando para nós, dizem que não podemos casar, (...) tudo por causa de uma crença antiga”,


“Deus criou todos igualmente, então porque é que os seres humanos se discriminariam apenas por causa da ignorância dos nossos antepassados? Porque continuaremos a sofrer por aquilo de que nada sabemos, por algo que não fizemos? Porque é que ainda optamos por ficar na escuridão?”.


“Isto é racismo disfarçado, mas queremos ser tratados em pé de igualdade na terra do homem branco”.

ESTIGMA DOS ANTEPASSADOS

No sudeste do estado de Anambra a escravatura foi oficialmente abolida no início do século XIX pelo então governante colonial do Reino Unido – que colonizava a Nigéria.

Mas os descendentes de escravos libertados, entre o grupo étnico Igbo ainda carregam o estigma dos seus antepassados e são proibidos pela cultura local de casarem com os Igbos "nascidos livres".


A reportagem relata o caso de Favour, uma mulher de 35 anos, que há três anos estava se preparando para se casar com um homem com quem tinha namorado durante cinco anos. Quando a família do noivo descobriu que ela era descendente de um escravo, a pressão venceu a resistência do homem que acabou por terminar o romance.


O casamento não é a única barreira que os descendentes de escravos enfrentam. São também proibidos de ocupar posições tradicionais de liderança e grupos de elite, e muitas vezes impedidos de concorrer a cargos políticos e de representar as suas comunidades no parlamento.


No entanto, não são impedidos da educação ou do progresso económico. O ostracismo levou-os frequentemente a abraçar o cristianismo e a educação formal dos missionários, numa altura em que os outros locais ainda desconfiavam dos estrangeiros.


Alguns descendentes de escravos estão hoje entre os mais prósperos das suas comunidades, mas por muito que consigam, ainda são tratados como inferiores.

A discriminação baseada na casta de escravos não é comum entre os iorubás ou hausa, os dois outros grandes grupos étnicos da Nigéria. Mas tem sido relatada entre alguns grupos étnicos de outros países da África Ocidental, tais como o Mali e o Senegal.

(*) Com bbc e nasoweseeamonline

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