TXV(*) - 26/novembro/2020

Fadji é hidróloga e conseguiu ingressar na NASA em agosto, depois de se candidatar on-line para o cargo que estava disponível.
Essa é Fadji Zaouna Maina. Desde os dez anos ela tem o sonho de ajudar a resolver os problemas de água vividos na sua cidade natal, Zinder, que fica no Níger, um país que fica situado no meio da parte ocidental da África.

Fadji é hidróloga, tem 29 anos e conseguiu ingressar na NASA em agosto, depois de se candidatar on-line para o cargo que estava disponível. Ela reconhecia que eram quase zero as chances de uma menina como ela, nascida e criada no interior do Níger, se tornar cientista numa instituição como a NASA.
Aos 16 anos, Fadji concluiu o ensino médio e serviu como deputada júnior na Assembleia Nacional da Juventude do seu país, sempre defendendo a educação e o empoderamento das meninas desde a adolescência.
Foi para a Universidade de Fes, no Marrocos, para se formar em engenharia geológica. Em seguida, ela foi para a Universidade de Estrasburgo para fazer o mestrado em engenharia e ciências ambientais.
Em 2016, obteve seu Ph.D. em Hidrologia pela Universidade de Estrasburgo, área que escolheu visando “participar na melhoria das condições de acesso à água potável no Níger”. Ela fala francês, inglês e hauçá.
A busca por soluções tangíveis para a crise global da água, levaram Fadji a trabalhar em laboratórios conceituados como a Comissão Francesa de Energias Alternativas e Energia Atômica (CEA) antes de ingressar na Divisão de Geociências de Energia da Universidade de Berkeley, nos Estados Unidos.
Mais tarde, ao deparar-se com uma vaga de emprego online na NASA ela foi atrás. E deu certo. Hoje, ela trabalha como hidróloga computacional no Centro de Voos Espaciais Goddard da da NASA, onde usa modelos matemáticos e produtos de sensoriamento remoto para estudar o impacto das mudanças climáticas na água.
Foi sua infância que a deixou muito ciente dos problemas hídricos. Embora seja uma das maiores cidades do país, Zinder é bem conhecida pela escassez de água, um problema que Fadji afirma estar piorando com as mudanças climáticas.
No entanto, ela se acha sortuda. Como havia água encanada na casa de seus pais, ela conseguia se concentrar nos estudos. Mas se lembra de filas de mais de 40 meninas com baldes do lado de fora de sua casa, especialmente durante a estação seca, quando o sol estava forte. Desde muito jovem, Fadji quis ajudar. À medida que crescia, ela percebia que havia problemas de água em todo o mundo e que a NASA permitiria que ela os enfrentasse em escala global.
Esse caminho nem sempre foi claro para ela, diz ela. “Eu queria ajudar em questões relativas à água, mas não sabia que era preciso ter um doutorado e trabalhar no campo da ciência”.
Antes de ingressar na NASA, Fadji ganhou vários elogios. Por causa do seu trabalho de pesquisa de pós-doutorado no Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, na Califórnia, ela foi incluída na lista de 2020 da Forbes dos 30 empreendedores com menos de 30 anos, entre os mais inovadores no campo da ciência.
(*) Com agências
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