POLÍTICO ARGENTINO ESPERA “LIMPEZA ÉTNICA” DE CINCO OU SEIS MILHÕES DE NEGROS PELO COVID-19
- TXV
- 8 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
RDD (*)
Um político argentino que exerce a função de conselheiro substituto do município de Capilla del Monte - província de Córdoba, na Argentina, a 700 Km da capital do país, Buenos Aires - teve um áudio vazado na semana passada, que causou um escándalo devido à seriedade do seu conteúdo.

Julio Carballo, que foi vereador em Capilla del Monte e conselheiro
distrital entre 2011 e 2015, parace ser conhecido pelo radicalismo.
No material, que viralizou, Julio Carballo questionou as medidas tomadas pelo governo argentino para combater a propagação da pandemia do coronavírus no país e fez acusações discriminatórias contra o peronismo.
O peronismo foi um movimento político que surgiu na Argentina durante a década de 1940 quando Juan Domingo Perón atuava no governo argentino. Sabe-se que Peron promovia constantes ataques à “oligarquia”, mas, durante seu governo, nunca tomou ações para combater os privilégios da elite econômica argentina.
“Eu acho que isso está apenas começando. Não é como o idiota de [Alberto Ángel] Fernández [atual presidente da Argentina] disse, que estamos derrotando o vírus", vociferou Carballo no áudio, citado por vários orgaõs de comunicação.
Na sequência ele continuou: “ Como grande parte deste país é peronista, o peroncho [simpatizante ou militante do peronismo/peronista] entende de balas, paus e chutes na bunda. É o único caminho, porque é preto ”.
E para concluir, Julio Carballo disparou: “A única coisa que espero é que essa pandemia faça uma limpeza étnica que todos merecemos. Eu, para mim, (...) com cinco ou seis milhões a menos de negros, (...) este país é capaz de começar ”.
Um deputado nacional de Córdoba - Eduardo Fernández, expressou seu repúdio contra as declaraçõe de Carballo e pediu a intervenção imediata do Instituto Nacional argentino contra Discriminação, Xenofobia e Racismo (Inadi).
Ao sugerir que a pandemia poderia fazer uma “limpeza étnica” e “ficasse na Matanza” - o mais populoso dos 135 distritos da província de Buenos Aires com mais de dois milhões de habitantes - eliminando milhões de negros peronistas, ele foi acusado de racismo contra a população dos subúrbios de Buenos Aires.
Depois que o áudio viralizou o político não teve outra escolha a não ser retratar-se: “Peço desculpas publicamente a quem ofendi. Eu nunca desejaria que um compatriota meu morresse. O que eu disse está errado, mas foi uma conversa privada e tinha um contexto desconhecido”, disse ele ao La Nación.
Julio Carballo, que foi vereador em Capilla del Monte e conselheiro distrital entre 2011 e 2015, parace ser conhecido pelo radicalismo por isso não teve nenhum problema em fazer comentários xenófobos, que, devido à sua dureza, se tornaram virais.
O Ministério Público iniciou uma investigação criminal. Segundo informações da entidade, “Carballo é o suposto autor de um áudio transmitido pelo programa de rádio local”. Isso resultou em um caso de possível cometimento de um crime punível com prisão de um mês a três anos. O crime cometido incentiva ou incita perseguição ou ódio contra uma pessoa ou grupo de pessoas por causa de sua raça, religião, nacionalidade ou idéias políticas.
(*) Com agências
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