PAPAIS NOÉIS NEGROS ENFEITAM JARDINS EM RESPOSTA AO ATAQUE CONTRA O PAPAI NOEL PRETO DE UM VIZINHO
- TXV
- 11 de dez. de 2020
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TXV(*) - 11/dezembro/2020

Chris e Iddly Kennedy; solidariedade dos viszinhos em resposta ao ataque feito ao seu Papai Noel negro.
Qualquer um tem a sensação de que 2020 foi terrível e que o Natal não parece bom. Nem nos Estados Unidos, onde a pandemia é galopante.
Chris Kennedy, um afro-americano de 33 anos, casado, pai de uma menina de cinco anos e morador do bairro de Lakewood em Noth Little Rock, Arkansas, tinha motivos para acreditar que as coisas não são terríveis, mas ainda piores.
Os Kennedys receberam uma carta ameaçadora por terem um Papai Noel negro em seu jardim. Ele logo descobriu, no entanto, que o espírito do Natal existe além das fronteiras raciais.
Os Kennedys se mudaram para Lakewood há três anos. Como em todas as ocasiões nesta época, em novembro, eles colocaram as decorações de Natal em seu jardim. Todas as vezes tinham a presença de um Papai Noel inflável preto e nunca havia problema. Ao lado, uma placa iluminada com a palavra Alegria , alegria.
No final do mês passado ele recebeu uma carta enviada pelo Papai Noel:
“Por favor, tire o seu Papai Noel negro do seu jardim. Você deve tentar não enganar as crianças fazendo-as pensar que sou negro. Eu sou caucasiano (homem branco para você) e tenho sido nos últimos 600 anos. O fato de você ter ciúmes da minha raça não é desculpa para sua desonestidade. Obviamente, seus valores não são os da área de Lakewood e talvez você devesse se mudar para um bairro no leste com o resto de seus colegas racistas. "
A carta trazia também uma fotografia de um Papai Noel branco.
Assim que Chris Kennedy leu a carta entrou em casa com a intenção de lê-la em voz alta numa transmissão ao vivo no Facebook.
Ele queria que sua esposa, Iddly, uma farmacêutica em um hospital infantil, soubesse o que tinha acontecido imediatamente, talvez como uma forma de diminuir o nível de raiva.
"Eu li muito devagar, deliberadamente porque estava extremamente zangado", explicou ele a ABC. "Muito devagar para pronunciar cada palavra corretamente", esclareceu.
"Essa carta foi incrivelmente ofensiva e explica onde estamos", disse ele. “Foi desanimador para o tempo em que vivemos e para a pandemia”, continuou ele.
Iddly, a esposa de 31 anos, ficou magoada ao ouvir tudo isso e começou a se perguntar se eles fizeram a escolha certa ao educar sua filha estabelecendo-se naquele ambiente.
Kenndey levou o caso a polícia local para registrar uma queixa de assédio. Ele recebeu a carta num envelope com a identificação da associação de moradores, mas em todos os momentos estes negaram saber de qualquer coisa e imediatamente condenaram o ocorrido.
Então o inesperado aconteceu. Poucas horas depois de sua transmissão na rede social, Kennedy começou a receber mensagens de solidariedade de vizinhos. Esse foi apenas o preâmbulo da conspiração do Papai Noel negro. Poucos dias depois de receber a carta, sua filha, Emily, percebeu que outros papais noéis negros começaram a aparecer em outros jardins. “Vi que eram pródigos, descobri que o lado bom de tudo era a resposta dos vizinhos”, confessou o pai.
O primeiro a dar esse passo foi Chip Welch, um homem branco de 70 anos, depois que descobriu a história no quadro de avisos do bairro. Ele considerou que seria poético para todos ter um Papai Noel negro. Ele teve sucesso e outros brancos o seguiram.
Os Kennedys foram abraçados por uma "incrível demonstração de amor e união". Preto ou branco, sempre Papai Noel.
(*) Com lavanguardia
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