OS "DIVERTIDOS" FUNERAIS QUE OS AFRICANOS FAZEM PARA VER OS MORTOS EM GRANDE ESTILO
- TXV
- 2 de nov. de 2020
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TXV(*) – 02/novembro/2020

Hoje, as narrativas parecem sugerir que os funerais não são mais sobre os mortos em si - eles têm mais a ver com os vivos.
No dia dedicado a relembrar os mortos – o dia 02 de novembro, conhecido como Dia de Finados – vamos dar uma olhada no continente africano e rever alguns hábitos fúnebres que só acontecem por lá.
Pelo menos, para a maior parte da África, os funerais são realmente grandes negócios. Em alguns casos, os grandes eventos ou cerimônias que os acompanham fazem com que a vida não pareça tão divertida. Hoje, as narrativas parecem sugerir que os funerais não são mais sobre os mortos em si - eles têm mais a ver com os vivos.
Um funeral, mais do que um casamento ou qualquer outra cerimônia, deve ser grandioso e bem-sucedido e, enquanto em outros lugares, os funerais são realizados em praticamente qualquer dia da semana; no Gana, particularmente, os funerais acontecem principalmente nos finais de semana. Não é de admirar que a morte e o dinheiro tenham se tornado inseparavelmente entrelaçados. Cada morte desencadeia um fluxo de dinheiro e o funeral floresce.
As tradições sobre enterros e funerais em várias culturas diferem, mas parece haver algumas semelhanças em alguns lugares também.
DISCO MATANGA NO QUÊNIA
No Quênia existe uma prática chamada Disco Matanga, que é o ápice de uma cerimônia funerária Luo. Essa prática permite que parentes, amigos, conhecidos e pessoas importantes tenham tempo suficiente para ver o corpo pela última vez durante a noite.

O velório é mais importante à noite, quando culturalmente se acredita que o espírito da pessoa falecida está no início da transição para a vida após a morte. Ironicamente, o clima parece ser de alegria, com música, dança e festa.
Embora a prática seja considerada divertida, ela ganhou notoriedade por ter ajudado na disseminação do HIV/AIDS.
OS CARREGADORES DANÇANTES
Na África Ocidental, particularmente no Gana e na Nigéria, a mais nova forma de entretenimento em funerais, além da extravagância das cerimônias, é a introdução de carregadores de caixa habilidosos. Esses carregadores não são caras normais porque eles precisam saber dançar enquanto equilibram os caixões pesados com o cadáver nos ombros. Na maior parte das vezes é divertido, mas nem sempre é assim.

Um vídeo se tornou viral nas redes sociais mostrando as tentativas fracassadas de um grupo de carregadores do caixão carregando o cadáver que deixam o caixão escapar, quebrando sua tampa e expondo o cadáver.
Embora a prática vem sendo desaprovada por muitos que pedem sua abolição, a prática não só persiste, como já faz sucesso no mundo inteiro.
“ALUGUEL” DE PROFISSIONAIS DE LUTO
Os quenianos, assim como os ganenses, também estão vivendo com outra prática bastante fascinante que está rapidamente se tornando um estilo de vida ligado a funerais: luto profissional. Como o nome indica, pessoas são pagas para comparecer a funerais e chorar, como se se importassem. Tudo o que importa, neste caso, é que elas realmente derramem lágrimas e suscitem emoções em outros presentes.

Muitos argumentam que é errado lucrar com funerais e com a desgraça de outras pessoas, mas o fato é que muitos jovens estão fazendo disso uma verdadeira profissão, e há um aumento da demanda por seus serviços.
CAIXÕES DE FANTASIA
Os caixões em muitos países, principalmente da África Ocidental, não são tão regulares. Se você tiver a sorte de comparecer a um funeral desses, poderá ver a elegância dos caixões.
De acordo com seus designers, esses modelos personalizados e muitas vezes espetaculares são feitos como uma forma de homenagem aos mortos. Isso é feito na maioria dos casos projetando a representação de uma coisa que era sinônimo de suas vidas.

Então, imagine ser um médico seu caixão pode ser como um estetoscópio ou uma seringa. E se for um chefe ou qualquer outra pessoa de um clã real, o caixão pode ser um “Ahenemma” (chinelos tradicionais usados principalmente pela realeza em Gana).
E a lista continua dessa maneira: para um motorista o caixão seria um carro; um técnico de celular, teria como caixão logicamente um caixão em forma de celular; para um pescador, um caixão de peixe; para um sapateiro, um caixão de sapato. E por ai vai, entre tantos outros desenhos inimagináveis.
COLOCADO COM ESTILO
Há lugares em que o cadáver de uma pessoa jamais deve ser colocado, nem mesmo durante uma cerimônia fúnebre. Mas alguns lugares no continente africano vão longe do que é limite para a maioria das pessoas e das culturas, na forma como exibem seus cadáveres. Imagine assistir a um funeral em que o cadáver é colocado em pé ou até mesmo sentado, de frente para a multidão.

Esta foto do Twitter mostra um homem morto que, no velório, foi preso a um poste de eletricidade porque era eletricista.
Sim, essa é uma prática para algumas comunidades africanas embora possa parecer insensível, e até nojenta para muitas pessoas. O fato é que a decisão para esses casos não é muito pública; é mais particular.
Ao todo, os funerais estão gradualmente se tornando cerimônias maiores para muitos africanos do que até mesmo os casamentos, ou o anúncio do nascimento de uma criança. Nos funerais, as riquezas são exibidas no que parece ser uma batalha pela exibição de fortunas. Por isso muitas pessoas questionam como é que, enquanto viviam, essas pessoas, então difuntas, nunca tiveram tanto apoio financeiro.
Mas no final do dia, nada supera o fato de que os africanos estão redefinindo como os funerais são feitos, de uma forma que só pode ser chamada de “verdadeiramente Africano”. Ou não é?
(*) Com f2fafrica
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