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O REFUGIADO LIBERIANO QUE SE TORNOU O PRIMEIRO PREFEITO NEGRO DE MONTANA, NOS ESTADOS UNIDOS

  • Foto do escritor: TXV
    TXV
  • 14 de abr. de 2020
  • 3 min de leitura

RDD (*)


O sonho que se pensa ser unicamente norte-americano não se torna realidade para a maioria das pessoas. Mas quando acontece, nos oferece algumas histórias fantásticas e inspiradoras. É o caso da história de Wilmot Collins, prefeito (ou administrador municipal) de Helena, a capital do estado de Montana, na região Oeste dos Estados Unidos, fronteira com o Canadá.

Collins, de 56 anos, é o primeiro negro a ser eleito prefeito nos 130 anos

da história de Montana. Mas o fato de não ser um americano

nativo torna a sua história mais interessante.



O chefe do Executivo da administração de Helena nasceu em Monróvia, capital da Libéria. Para o pan-africanista mais otimista, a conexão de Collins com os Estados está impregnada de uma história mais forte do que a estreiteza da nacionalidade.


A Libéria foi fundada em 1822 por escravos libertados dos Estados Unidos. O primeiro lote de 86 homens e mulheres negros livres deixou Nova Iorque em 1820 para a colónia ao longo da costa ocidental de África.


A colónia recebeu o nome de Libéria em 1824 e a sua capital, que inicialmente era conhecida como Christopolis, acabou por ser renomeada Monrovia, em homenagem ao quinto presidente dos EUA, James Monroe - que governou de 1817 a 1825) e era um ardente apoiante da Sociedade Americana de Colonização (ACS).


Em quatro décadas, entre 15.000 e 20.000 escravos libertados e africanos resgatados de navios escravos ilegais juntaram-se à colónia norte-americana na África.


Mas levou algum tempo para os negros retornados se adaptarem ao seu novo lar, pois sofriam com doenças, com ataques da população local, o clima rigoroso, más condições de habitação e falta de alimentos e medicamentos.


Com o crescimento das críticas contra a colonização, a ACS, em 1840, estava em grande parte falida, abrindo caminho para que os colonos tomassem a iniciativa de declarar a independência, em 1847, fundando a República da Libéria.


Em relação à escravidão e colonização, a Libéria foi apenas a segunda nação negra a conquistar a independência, depois do Haiti. Portanto, o primeiro país africano a ter autonomia política.


“De volta” aos EUA como refugiado


Assim, poderia se dizer, então, que os liberianos - e, especificamente, Wilmot Collins - sempre estiveram ligados aos Estados Unidos.


Em 1994, Collins fugiu da Libéria para a América do Norte durante a primeira guerra civil liberiana. Sua esposa já estava em Montana dois anos antes, então ele pediu o status de refugiado para que pudesse se juntar a ela.


O processo de ser aceito como refugiado levou um tempo frustrantemente mais longo do que os oponentes dos assentamentos de refugiados gostam de acreditar. Tornar-se um cidadão americano é também uma tarefa difícil.


Apesar dele ter sido membro da Reserva da Marinha dos Estados Unidos por cerca de 20 anos e ter trabalhado no no Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Montana, especializado em proteção infantil, Wilmot Collins não é poupado a duras lembranças do “seu lugar” na sociedade americana e foi frequentemente aconselhado a “voltar para a África”.


Em Novembro de 2017, Collins havia derrotado o prefeito de Helena, James Smith, com 51% dos votos, para se tornar o novo chefe executivo da cidade, concorrendo como candidato democrata. Desse modo ele se tornou no primeiro negro a ser eleito administrador municipal de qualquer cidade na história de Montana, desde que o estado foi constituído, em 1889.


Em 13 de maio de 2019, Collins anunciou a sua candidatura ao Senado dos Estados Unidos como democrata. Ele desistiu para apoiar o governador Steve Bullock, no dia 9 de Março de 2020.


(*) Com agências

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