O RACISMO BRASILEIRO NA MORTE DE UM HOMEM NEGRO POR SEGURANÇAS DA LOJA CARREFOUR EM PORTO ALEGRE
- TXV
- 20 de nov. de 2020
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TXV(*) – 20/novembro/2020

O espancamento e morto de um homem negro, ontem (19) num supermercado Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, não é um caso isolado. Trata-se de um fato que indica uma pratica de racismo que vem acontecendo recorrentemente no Brasil.
Dois homens brancos que trabalhavam como seguranças da loja aparecem em vídeo espancando a vítima, João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, que logo depois acaba por falecer.
Os dois suspeitos foram presos em flagrante. O policial militar Giovani Gaspar da Silva, de 24 anos, foi levado para um presídio militar. Magno Braz Borges, de 30 anos, segurança da loja, está em um prédio da Polícia Civil. A investigação trata o crime como homicídio qualificado. Ambos são funcionários de uma empresa terceirizada, a Vector Segurança.
ESSE NÃO É UM CASO ISOLADO
Nos últimos meses, três casos de agressão e ameaças a negros ocuparam o noticiário. Primeira negra eleita vereadora na cidade de Joinville (SC), Ana Lucia Martins (PT) foi alvo de ataques racistas nas redes sociais. Através de um perfil falso, pessoas que se dizem membros de uma denominada "juventude hitlerista" publicaram mensagens de ódio e com ameaças de morte. "Agora só falta a gente m4t4r el4 e entrar o suplente que é branco (sic)", dizia uma das mensagens. Ela registrou boletim de ocorrência.
No dia 4 de outubro, o publicitário Robson Vieira, de 33 anos, foi agredido com socos e chutes por três homens enquanto passeava com o seu cachorro na Rua Martins Fontes, na Consolação, região central de São Paulo. A agressão foi filmada por moradores de um dos prédios vizinhos e as imagens ganharam repercussão, com pedidos de punição aos agressores. Eles foram detidos, mas liberados após registro da ocorrência na delegacia.
Robson afirmou em rede social que o motivo da agressão foi o fato de ser gay e negro. "Eu estava passeando na rua e eles começaram a me insultar me chamando de negro safado e vieram para cima de mim", diz.
No Rio de Janeiro, o jovem Matheus Fernandes, de 18 anos, foi ao shopping para trocar um relógio que daria de presente ao pai. Entregador de comida por aplicativo, ele foi rendido e ameaçado por dois homens que se identificaram como policiais enquanto aguardava atendimento em uma loja do Ilha Plaza Shopping, na Ilha do Governador (zona norte do Rio), em 6 de agosto.
"Eles tiraram foto minha, e eu senti que tinha alguma coisa errada", contou o entregador em um vídeo divulgado pelas redes sociais. "Eles vieram falar que eu era suspeito de furto, porque estava com um relógio, mesmo tendo a etiqueta e a nota fiscal. Aí disseram que eu sou suspeito de furto, e começaram a me segurar, empurrar, balançar. Quando menos esperei, o rapaz da camiseta vermelha me deu uma banda, sacou a pistola pra cima de mim, botou a pistola aqui (aponta a cabeça), pensei que ele ia me matar. Eu comecei a gritar, para ver se alguém que me conhecia tomava alguma providência".
Em 2019, um jovem negro de 17 anos foi chicoteado por cerca de 40 minutos porque furtou uma barra de chocolate em um supermercado da zona sul de São Paulo. No mesmo estabelecimento, uma mulher negra denunciou uma abordagem de seguranças ocorrida em abril de 2019, que a fez 'imaginar estar sendo assaltada'. O Supermercado Ricoy afirmou em nota que não compactuava com qualquer tipo de discriminação ou violação de direitos humanos.
No início deste mês, o cliente de um mercado no Centro do Rio informou ter levado um tapa no rosto de um segurança que o acusou de tentar furtar uma carne. Segundo a vítima, o jardineiro Felipe Rodrigues da Silva, de 31 anos, a agressão foi motivada por racismo. O caso foi registrado pela polícia como calúnia e "vias de fato", podendo desdobrar para discriminação racial.
Em junho, uma jovem negra de 23 anos registrou boletim de ocorrência em Araçatuba (SP) por injúria racial alegando que foi seguida pelo segurança e enforcada pelo gerente de um supermercado. A mulher, que é produtora cultural, gravou vídeos nas redes sociais em que aparece chorando e denunciando o caso.
ASSASSINATO DE NEGROS AUMENTA
Dados divulgados em agosto deste ano pelo Atlas da Violência 2020 indicam que os assassinatos de negros aumentaram 11,5% em dez anos, enquanto os de não negros caíram 12,9% no mesmo período. Entre os negros, a taxa de homicídios no Brasil saltou de 34 para 37,8 por 100 mil habitantes entre 2008 e 2018.
O relatório também mostra que, em 2018, os negros representaram 75,7% das vítimas de todos os homicídios.
(*) Com G1 e terra.com
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