O CASO DOS GÊMEOS DE SEIS ANOS ADOTADOS NA ÁFRICA E ABANDONADOS PELOS PAIS ADOTIVOS NA ARGENTINA
- TXV
- 9 de dez. de 2020
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TXV(*) – 09/dezembro/2020

O casal Eduardo e Natacha, a filha biológica de 11 anos e os gêmeos adotivos de 6 anos.
São duas crianças. O casal argentino que os adotou na Guiné Bissau, na África, os abandonou numa delegacia de polícia da Bahía Blanca, a cidade mais importante do sul da Argentina, que fica a 650 km de Buenos Aires.
Eduardo Rucci e sua esposa, Natacha Perring terão viajado mais ou menos 12 horas, percorrendo a distância de quase 1000 km que separa San Martín de los Andes, a cidade onde moram, da cidade onde deixaram as crianças.

"Quando o papai vai voltar?" O Infobae reporta que os gêmeos africanos de 6 anos repetiam essa pergunta inúmeras vezes, quando foram largadas na Delegacia da Mulher e Família de Bahia Blanca
Diz o Infobae que, “em ato cruel e sem coração, e sem se importar que os menores tenham compartilhado quase um ano e meio com ele, sua esposa e sua filha biológica de 11 anos”, o ‘tal pai’ não hesitou em solicitar que uma organização provincial para crianças se encarregue deles.

A Delegacia da Mulher e Família de Bahia Blanca onde os dois meninos foram largados ao cuidado da polícia.
O fato aconteceu no dia 17 de novembro. Mas agora as crianças estão num lar protegido esperando uma outra família adotiva. E o assunto repercutiu na Argentina e abriu um grande debate no país.
O casal tinha viajado para a Guiné-Bissau em agosto de 2019 para a adoção plena dos rapazes após vários meses de contatos por videochamadas periódicas para criar o vínculo de familiaridade necessário.

As crianças conviveram mais de um anos com a familia de Eduardo antes de serem abandonadas.
Depois de se estabelecerem em Bahía Blanca, onde os pais adotivos moravam, os meninos começaram a frequentar a escola e passaram a praticar atividades sociais e esportivas.
Em fevereiro deste ano a família mudou-se para San Martín de Los Andes. Nas suas redes sociais os pais mostravam uma vida normal junto com os novos membros do grupo familiar.
Antes de excluir seu perfil das redes sociais, em junho passado, para o Dia dos Pais, Eduardo postou uma foto de sua filha com seus irmãos entre abraços e risos. “Todos os dias dos pais são diferentes, mas este é muito particular. Optamos por começar uma nova vida longe dos nossos afetos, passando por uma situação particular e com dois filhos de coração juntando-se à nossa família", postou o pai no Facebook.
Mas em novembro a situação mudou completamente. Eduardo viajou para a cidade onde antes residia, a Bahía Blanca, para entregar os dois menores às autoridades.
Apontar a incerteza sobre sua situação, os oficiais descreveram asperamente a atitude de ambos os pais adotivos para com os meninos e o tratamento que lhes deram.
“Depois de se gabarem nas redes sociais de como são excelentes pessoas para adotar duas crianças africanas, cansam-se delas, viajam de San Martín de los Andes para entregá-las a uma instituição policial, como se fossem um pacote ou carga!?”. Trata-se de um “ato desumano, cruel, discriminatório, racista e totalmente nocivo para as crianças ”. Cita a imprensa.
Segundo o relatório policial, as crianças tiveram seus nomes alterados no país de origem - de acordo com a escolha dos seus pais adotivos - e não têm sequer um Documento de Identidade Nacional (DNI) provisório ou residência.
O casal, por sua vez, não apresentou os documentos que comprovam que a adoção cumpriu todos os trâmites legais no país africano. Segundo as indagações da Equipe Interdisciplinar, os passaportes das crianças não trazem suas identidades originais. Trazem os primeiros nomes escolhidos pelos pais adotivos e o sobrenome do pai adotivo.
Além disso, nenhum dos passaportes dos gêmeos tem registrada a data de entrada na Argentina. Só aparece o carimbo da saída da Guiné-Bissau. As autoridades procuraram se a Direção de Migração registrou a entrada dos gêmeos no país e, se foi verificada ou não a autenticidade dos documentos apresentados pelos pais adotivos.
Os agentes que denunciaram o caso relatam que o pai chegou a delegacia “segurando os menores com os dois braços e, sem qualquer consideração”. Para os denunciantes era vontade dele entregar os filhos, “sem respeitar totalmente as obrigações parentais de cuidar, conviver, alimentar e educar os filhos ", além da objetivação que faz dos menores".
Os funcionários consideram que os direitos das crianças foram violados. É um caso de abuso infantil e uma forma de violência que terá consequências imediatas e também no desenvolvimento das crianças.
A denúncia foi apresentada ao Juizado de Família, ao Instituto Nacional contra a Discriminação, Xenofobia e Racismo (INADI) e aos serviços sociais zonais, com sede em Bahía Blanca.
(*) Com infobae
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