"MEU FILHO NÃO SERÁ BATIZADO POR NEGRO". PADRE NIGERIANO ABANDONA PARÓQUIA ALEMÃ SOB AMEAÇA DE MORTE
- TXV
- 20 de abr. de 2020
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RDD (*)
Em meio a outras atitudes discriminatórias, o padre Patrick Asomugha teve a casa e o carro atacados; depois recebeu uma ameaça de morte. Então, resolveu abandonar a paroquia após quase três anos de trabalho. Em 2016, o padre congolês Olivier Ndjimbi Tshiende teve que deixar seu posto na Baviera, também na Alemanha, depois de receber ameças por causa da sua raça e do seu trabalho com refugiados.

O padre Patrick Asomugha foi obrigado a deixar a sua paróquia por preocupação com a sua segurança, depois que seu carro e casa foram atacados e ele ter recebido uma ameaça de morte. Autoridades católicas na Alemanha confirmam que o padre Patrick Asomugha, que é o chefe de uma paróquia em Queidersbach, um pequeno município no oeste do país, vai deixar paróquia.
"A preocupação com a segurança e o bem-estar do pastor Asomugha torna este passo inevitável", disse Andreas Sturm, vigário geral do bispo da diocese de Speyer, em comunicado. "Seria irresponsável continuar expondo o pastor Asomugha à ameaça".
Asomugha é chefe da paróquia em Queidersbach desde 2017, mas as suas preocupações começaram no ano passado, depois de a sua casa paroquial ter sido assaltada por pessoas desconhecidas.
Posteriormente ele enfrentou comentários racistas durante os cultos na igreja. De acordo com reportagens da mídia local, pais de um fiel foram ouvidos, em Junho passado, por acaso, dizendo: "Não vou deixar o meu filho ser baptizado por um homem negro."
Durante o serviço de comunhão, um paroquiano também é relatado como tendo dito: "Não vou tirar nada daquelas mãos negras sujas."
No outono passado, os pneus do carro de Asomugha foram cortados e a isso se seguiu uma ameaça de morte colocada na porta de sua garagem. Dois dias depois, pessoas desconhecidas quebraram garrafas na porta da sua casa paroquial.
"O ataque contra mim tornou quase impossível levar uma vida paroquial normal em Queidersbach", disse Asomugha num comunicado.
Oficiais da Igreja dizem que ele já havia antes clamado pela paz entre as pessoas da comunidade, na esteira dos ataques racistas. Em outubro passado, sua igreja chegou a realizar uma "missa de solidariedade" sobre essas preocupações, para chamar a atenção para a necessidade de unidade. No entanto, os ataques continuaram.
"Nestas circunstâncias, eu não posso mais cumprir meus deveres como pastor em Queidersbach", disse Asomugha.
A diocese de Speyer disse que lhe seria dado um novo papel no decorrer do verão. A organização juvenil católica local, que expressou sua "vergonha profunda" pelo acontecimento, disse estar "horrorizada ao ver que, por causa da cor da pele, origem ou outras características, as pessoas não podem mais exercer sua atividade profissional ou têm que deixar seu emprego".
Nos últimos anos, tem havido a preocupação de que a Alemanha esteja falhando em seus esforços anti-racistas, dados os muitos ataques recentes de motivação racial no país.
Em 2016, o padre congolês Olivier Ndjimbi Tshiende teve que deixar seu posto na Baviera, Alemanha, após ameaças contra ele por causa de sua raça e de seu trabalho com refugiados.
(*) Com agências
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