TXV(*) - 27/dezembro/2020

O Congo (Brazzaville) foi o quinto país de origem das crianças estrangeiras adotadas pelos franceses em 2019. Mas Michel foi abandonado pela mãe adotiva francesa com o argumento dele ser "insuportável".
Uma mulher francesa de quarenta e poucos anos de Fréjus, uma comunidade do departamento de Var, na região de Côte d’Azur, foi condenado pela justiça de Draguignan, sul da França, a 10 meses de prisão suspensa, por ter abandonado uma criança órfã depois dê-la adotado num orfanato, na República do Congo. A decisão judicial foi tomada há 10 dias.
Após o início dos procedimentos em 2015, Ingrid L. obteve a adoção plena de Michel em 2017. E a partir de então, o menino obteve a nacionalidade francesa. Ele tinha apenas 8 meses quando teve que morar no orfanato de onde foi adotado.
Depois de passar uma semana com o filho em Brazzaville, capital do congo, ela mudou de ideia, com o argumento de que o menino “era incontrolável”. E decidiu regressar a França sem ele. Porém, como o processo de adopção tinha sido concluído, a criança já tem cidadania francesa.
De acordo com informações da imprensa local, Michel, agora com oito anos, foi encontrado na escadaria de uma igreja.
"Ele era incontrolável". Estas são as palavras usadas pela mulher para explicar a sua decisão de abandonar o menino. Suas explicações, no entanto, não convenceram o Tribunal, que a condenou por "abandono de um menor".
Ingrid L. procurou justificar sua atitude: "Durante a semana que passei com ele, ele estava incontrolável. Você tinha que vigiá-lo constantemente. O tempo todo, a cada minuto. Achei que ele estaria melhor no orfanato do que comigo".
A francesa disse ainda que não tinha percebido que o procedimento de adoção que ela havia lançado era definitivo.
O tribunal ordenou também que ela fosse proibida de exercer uma atividade profissional em que estivesse em contato com menores. Desse modo, segundo a Agência France Press (AFP), a acusada foi privada do seu atual emprego como assistente social num serviço de proximidade educativa.
Juliette Bouzereau, a advogada de Ingrid L, alegou que a condenação por "negligência" não se sustentava na medida em que "a saúde e a segurança da criança" estivessem "garantidas", tendo sido deixada no orfanato onde já foi acolhida.
Muriel Gestas, que defende os interesses da criança, pede um tratamento personalizado para este órfão que hoje é um francês preso em Brazzaville.
O facto é que a situação desta criança é hoje em dia complexa, diz a AFP. O advogado que a representa é instado a solicitar ao Ministério dos Negócios Estrangeiros que esta criança seja autorizada a ser acolhida pela Agência de Bem-Estar Social da Criança na França.
"Esta criança, que já não é adoptável, não é um caso vulgar. Ele sofreu um trauma específico após um primeiro abandono aos oito meses de idade e um novo quando a sua mãe [a condenada francesa, nota do editor] o abandonou no orfanato em frente de todas as outras crianças que agora dizem 'você viu, a mãe branca que não o queria'", disse Gestas.
De acordo com o Ministério das Relações Exteriores da França, 421 crianças foram adotadas no exterior por franceses ou estrangeiros residentes na França em 2019. O Congo é o quinto país de origem (atrás do Vietnã, Colômbia, Tailândia e Haiti).
(*) Com AFP
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