MCDONALD'S FECHA RESTAURANTE NA CHINA QUE PROIBIU A ENTRADA DE NEGROS
- TXV
- 15 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
RDD (*)
Um restaurante da McDonald's que se recusou explicitamente a servir clientes negros, na China, foi fechado temporariamente pela direção da rede. O caso foi denunciado por movimentos que lutam pelo direito à igualdade racial.

Em declaração enviada à Inkstone na segunda-feira (13), o McDonald's China confirmou que uma filial em Guangzhou introduziu a proibição de clientes negros no dia 11 de Abril. A declaração, que pedia desculpas aos clientes, dizia que o restaurante em causa tinha sido avisado para parar com essa proibição.
“O McDonald's China leva esses assuntos a sério e se posiciona firmemente contra qualquer forma de discriminação ou perfil racial”, expõe a declaração enviada à imprensa.
A discriminação contra africanos na região de Guangzhou, onde o caso ocorreu, vem crescendo, motivada por rumores de que os nigerianos estavam espalhando uma nova onda de infecções por coronavírus, depois que cinco deles testaram positivo.
Várias nações africanas apresentaram queixas formais ao governo chinês sobre discriminação contra seus cidadãos. Quênia, Uganda, Gana, Nigéria e Serra Leoa, desde então protestaram em Pequim sobre os supostos maus-tratos e atos de discriminação contra seus cidadãos em Guangzhou. Autoridades e diplomatas chineses negaram as acusações.
A McDonald's Corporation se manifestou, na segunda-feira (13), ao Hong Kong Free Press, afirmando que vai aproveitar essa oportunidade para educar também os gerentes e funcionários sobre os valores que a rede refende, o que inclui servir a todos os membros das comunidades em que operam.
A empresa considera que, assim como todos, os negros também sejam submetidos por um “exame de temperatura corporal” e tenham um “código QR de saúde limpa”, emitido pelo governo chinês.
O código QR em questão é gerado por um aplicativo obrigatório para smartphone, que avalia os cidadãos chineses e estrangeiros residentes, sobre sua saúde atual e controla se a circulação deles em locais públicos está permitida.
Na entrada um aviso só para negros
Na atitude do McDonald's de Guangzhou proibir a entrada de negros está a preocupação com relação aos estrangeiros portadores de coronavírus, fato que tem alimentado o aumento da xenofobia na China.
“Fomos informados que, de agora em diante, os negros não podem entrar no restaurante”, dizia o aviso, escrito em inglês, exibido pelos funcionários do restaurante, na semana passada. “Para o bem da sua saúde, notifique conscientemente a polícia local para isolamento médico”, recomendava o aviso. Sabendo da discriminação que o estabelecimento estava promovendo, o aviso ressaltava: “por favor, entenda o inconveniente causado".
No último sábado (11), o Consulado dos EUA em Guangzhou advertiu os afro-americanos para evitarem viajar para a cidade chinesa, citando a discriminação do governo local contra pessoas que parecem ser de origem africana.
Após o incidente com a placa, o McDonald's em Guangzhou fechou por meio dia no domingo (12 de abril) para um treinamento de “diversidade e inclusão” para o seu pessoal. De acordo com a direção da rede esse treinamento será levado à todos os funcionários na China.
Os negócios do McDonald's na China continental e em Hong Kong são de propriedade majoritária do conglomerado estatal CITIC Ltd e seu braço de “private equity”.
(*) Com agências
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