MADAGASCAR JÁ EXPORTA CHÁ “MILAGROSO” DE ERVAS CONTRA A COVID-19 PARA OUTROS PAÍSES AFRICANOS
- TXV
- 3 de mai. de 2020
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RDD (*) - 03/Maio/2020
O covid-organics (CVO), uma bebida derivada da planta artemísia foi lançada, pelo chefe de Estado do Madagáscar e o Instituto de Pesquisa Aplicada do seu país, com a afirmação de que poder tratar e prevenir o Covid-19.

Agora diversos países africanos estão começando a importar o remédio fitoterápico, apesar da falta de pesquisas científicas para sustentar a “cura milagrosa” para o coronavírus.
Depois da Guiné Equatorial, da Guiné Bissau, da República Democrática do Congo e do Senegal, mais dois países se juntaram à lista de interessados em usar o suposto xarope: Tanzânia e Comores confirmaram seu interesse na cura herbácea no passado fim de semana.
O presidente comorense, Azali Assoumani, realizou uma teleconferência com seu homólogo do Madagásgar, Andry Rajoelina, após a qual foi feito um pedido formal para a importação da “covid-organics”.
No caso da Tanzânia, o presidente John Pombe Magufuli, ao falar num evento no domingo, revelou que o país também vai pedir ao Madagascar o produto de ervas para ajudar na luta contra a pandemia.
"Tenho estado em conversações com Madagascar. Dizem ter descoberto o remédio para a COVID-19". Vamos enviar um avião para trazer o medicamento para a Tanzânia, para que os tanzanianos possam se beneficiar dele", diz o chede de Estado da Tanzânia.
Enquanto isso, a delegação da Guiné-Bissau que viajou para Madagascar para transportar a remessa já voltou para casa com os produtos. A Guiné Equatorial foi o primeiro país a receber a doação.
A República do Congo também anunciou que uma remessa será importada em breve. Até agora, Rajoelina recebeu elogios de vários de seus pares africanos, incluindo os presidentes da República Democrática do Congo e do Senegal, que têm a pretenção de obter o produto.
Durante uma reunião da União Africana no final do mês passado, o presidente malgaxe enfatizou a importância do remédio herbal - uma variante da qual previne o vírus. Falando aos colegas chefes de Estado com um frasco de covid-Organics em sua mesa, ele reiterou a viabilidade da cura à base de ervas.
"Existem dois protocolos de tratamento (curativo e preventivo). O estado de saúde dos pacientes Covid-19 que tomaram o covidOrganics melhorou após sete dias e se recuperou totalmente após 10 dias", disse Rajoelina num tweet de 30 de abril.
CONTESTAÇÕES
Embora pouca informação sobre os testes tenha sido disponibilizada - Rajoelina diz que dois pacientes foram curados até agora usando a mistura - o presidente tem promovido entusiasticamente o chá de ervas como cura para a covid-19 nas mídias sociais, enquanto incentiva outros líderes africanos a importá-la.
"Todos os ensaios e testes foram realizados e sua eficácia na redução e eliminação de sintomas foi comprovada no tratamento de pacientes assolados pela pandemia, em Madagascar", disse o presidente Andry Rajoelina, de Madagascar, sobre a bebida, em 20 de abril.
A Artemísia é utilizada para uma série de fins medicinais em toda a África e descobriu-se que algumas espécies têm propriedades anti-maláricas.
No entanto, a promoção da bebida - que tem sido distribuída a crianças em idade escolar no Madagascar e em pontos de distribuição em cidades e vilas - tem causado o alarme de pesquisadores, tanto no país como entre a comunidade científica internacional, que dizem não haver evidências que sustentem a alegação de que tal remédio pode tratar a covid-19.
A ONG Transparência Internacional também tem exigido mais transparência do governo malgaxe na promoção da bebida.
"Só podemos nos preocupar com a opacidade da publicidade [da bebida], sua imposição ao público em geral, sua composição, seus efeitos colaterais e seu financiamento", disse Ketakandriana Rafitoson da Transparência Internacional de Madagascar.
"Seria vergonhoso se os efeitos produzidos pela CVO fossem mais desastrosos a longo prazo do que a devastação causada pela própria Covid-19", completou.
(*) Com Agências
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