DIRETOR-GERAL DA OMS DENUNCIA RACISMO E AMEAÇAS DE MORTE CONTRA ELE. E ABRE RIXA COM TAIWAN
- TXV
- 8 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
RDD (*)
Durante a conferência de imprensa da Organização Mundial da Saúde (OMS) realizada nesta quarta-feira (8) na sede da entidade, em Genebra, Suiça, o diretor-geral da OMS, o etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, denunciou os ataques racistas e ameaças que vem sofrendo em redes sociais.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
e Tsai Ing-wen (no detalhe), a presidente de Taiwan.
Perguntado se as críticas de líderes mundiais contrárias a sua posição como líder da OMS dificultam a operação de combate a pandemia da covid-19, Tedros referiu-se, então, as ameaças de morte e insultos racistas que vem recebendo diante dos esforços globais para combater a pandemia de coronavírus.
O dirigente máximo da Organização disse que esses “ataques pessoais vêm ocorrendo há mais de dois, três meses”. O tempo em referência corresponde ao tempo que já dura a pandemia de coronavírus desde que surgir, em Dezembro do ano passado, na China.
Tedros falou que se trata de “abusos ou comentários racistas”, que lhe chamam de “preto ou negro”. Porém, o diretor-geral da OMS sublinhou: “Tenho orgulho de ser negro, orgulho de ser preto”.
O etíope disse que “não se importa com ataques pessoais”, que a sua única prioridade é salvar vidas. E salientou que “não dá a mínima importância” à esses fatos.
“Quando toda a comunidade negra for insultada, quando a África for insultada, então eu não tolero, então digo que as pessoas estão cruzando a linha”, disse ele.
Taiwan reage a fala de Tedros
Embora um ums líderes mundiais crítico do diretor-geral da OMS seja o presidente Donald Trump, dos EUA, Tedros Adhanom Ghebreyesus comentou especificamente sobre insultos que ele disse terem vindo da presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen.
Taiwan, que não é membro das Nações Unidas - o órfão tutor da OMS, respondeu aos comentários de Tedros, chamando-os de “infundados” e exigindo desculpas. “Taiwan sempre se opôs a todas as formas de discriminação”, disse Tsai Ing-wen.
“As acusações injustificadas de Tedros, feitas sem qualquer tentativa de verificação, são contrárias aos fatos e causaram sérios danos ao governo e ao povo de Taiwan”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Taiwan em comunicado . “Essa calúnia é irresponsável, e o governo de Taiwan exige que o diretor-geral corrija imediatamente suas reivindicações falsas, faça um esclarecimento e peça desculpas ao povo de Taiwan”.
Contra cobaias africanas de uma vacina
Tedros também fez referência a observações feitas por cientistas na TV francesa, que ele - o diretor-geral da OMS, já tinha condenado na segunda-feira como artefatos de uma “mentalidade colonial”.
Os cientistas estavam discutindo o potencial de mudar um teste de vacina na Europa e na Austrália para a África, segundo a BBC. Tedros disse quarta-feira que os comentários insultaram “toda a comunidade negra”.
Tedros pediu aos líderes e políticos mundiais que deixassem de lado as diferenças e se concentrassem na luta contra a pandemia, que já infectou mais de 1.452.378 pessoas em todo o mundo e matou pelo menos 83.615, segundo dados compilados pela Universi
dade Johns Hopkins.
“Por favor, coloque em quarentena a política do covid-19. É isso que queremos. Não nos importamos com ataques pessoais”, disse ele. “Preocupamo-nos com a vida que morre a cada minuto desnecessariamente, porque não conseguimos nos unir para combater esse vírus”.
(*) Com CNBC e Taiwannews
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