CONGOLENSES ARRISCAM-SE SAIR DO BRASIL AOS EUA
- TXV
- 8 de fev. de 2019
- 2 min de leitura
É cada vez mais comum que refugiados da República Democrática do Congo (RDC), assentados no Brasil, migrem para os EUA fugindo da pobreza e da crise econômica.
Por N. Talapaxi S. 08/Fevereiro/2019

Vista de uma manifestação de congoleses no Rio de Janeiro. (cacbbr.blogspot.com/2016)
Em declarações prestadas a Folha sobre o naufrágio que matou cerca de vinte compatriotas seus na fronteira da Colômbia com o Panamá, John Beyazo, vice-presidente da Comunidade Congolesa do Brasil (CCB), disse que as vítimas faziam parte de um grupo de 150 pessoas que deixou São Paulo, entre oito e doze de Janeiro, em busca de melhores condições de vida na América do Norte.
O fluxo iniciado em 2014 vem crescendo. A viagem, que dura cerca de dois meses, custa em torno de 2.500 dólares (7.800 reais).
É cada vez mais comum que refugiados da República Democrática do Congo (RDC), assentados no Brasil, migrem para os EUA fugindo da pobreza e da crise econômica, segundo Beyazo: “Muitos perderam o emprego por causa da crise e preferem arriscar a vida a morrer aqui de fome”.
“O africano vem para o Brasil e deixa a família lá na miséria”, completa Joss Bola, secretário da CCB. “Todo mundo conta com o apoio dele. Só que aqui a gente está trabalhando só para comer e pagar a casa. E a gente sabe como a família sofre lá.”
A Folha refere que dos refugiados reconhecidos entre 2007 e 2017 no Brasil, os de nacionalidade congolesa ocupam o segundo lugar; atrás apenas dos sírios.
Segundo a Comunidade Congolesa no Brasil, o naufrágio na Colômbia, ocorrido no dia 28 de Janeiro, foi a maior tragédia envolvendo pessoas os seus compatriotas a caminho dos EUA.
Muitos dos mortos no naufrágio eram vendedores ambulantes no bairro do Brás, em São Paulo. “Em dezembro, a polícia confiscou toda a mercadoria que eles tinham armazenado. Como eles iam viver? Decidiram ir embora”, diz Beyazo.
Segundo Beyazo, imigrantes de outros países africanos que moram no Brasil também têm seguido a rota. Para a maioria, os EUA nem são o destino final. “Eles ficam uns meses e vão para o Canadá. Lá é terra de imigrante”, diz Joss Bola.
Comments