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BIDEN INDICA MULHER NEGRA PARA EMBAIXADORA DOS EUA NA ONU - QUEM É LINDA THOMAS-GREENFIELD?

  • Foto do escritor: TXV
    TXV
  • 25 de nov. de 2020
  • 4 min de leitura

TXV(*) – 24/novembro/2020

Linda Thomas-Greenfield é a aposta de Joe Biden para restaurar as relações dos EUA com a ONU.



O recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou a diplomata e veterana Linda Thomas-Greenfield como embaixadora do país nas Organização das Nações Unidas (ONU).


A expectativa de muitos observadores de que Linda Thomas-Greenfield ajude a restaurar a liderança e a cooperação dos EUA na ONU tem como base uma carreira de décadas construída pela diplomata no serviço estrangeiro dos EUA.


A próxima embaixadora norte-americana nas Nações Unidas já disse que seu país voltará ao multilateralismo tradicional, revertendo a postura de "América primeiro", protagonizada pelo governo do presidente cessante, Donald Trump.


"Quero dizer a vocês: os Estados Unidos estão de volta. O multilateralismo está de volta. A democracia está de volta", disse Linda Thomas-Greenfield.


Ela não seria a primeira pessoa afro-americana a servir como embaixadora dos EUA na ONU. O primeiro foi Andrew Young durante o mandato do presidente Jimmy Carter, de 1977 a 1981. Mas, a nomeação de Linda, de acordo com analistas, mostra que Biden está empenhado em construir equipes que reflitam a diversidade da população norte-americana.

Em comunicado transmitido quando anunciou os membros da sua equipe de política externa e segurança nacional, Joe Biden disse precisar de pessoas que ajudem “a recuperar o lugar da América na cabeceira da mesa”.


“Preciso de uma equipe pronta no primeiro dia para me ajudar a recuperar o lugar da América na cabeceira da mesa, reunir o mundo para enfrentar os maiores desafios que enfrentamos e promover nossa segurança, prosperidade e valores. Este é o ponto crucial dessa equipe”, disse o novo próximo inquilino da Casa Branca.


Com tantos anos no serviço externo dos EUA, Linda seria responsável por reparar alguns dos tensos laços diplomáticos que se caracterizaram a relação do governo Trump com a ONU.


Trump favoreceu a “soberania” dos EUA em vez dos compromissos da norte-americanos com a comunidade global. Nos últimos anos ele tem atacado a ONU e organismos internacionais de direitos humanos, desligando-se de acordos multilaterais como foi nos Acordos do Clima de Paris na Organização Mundial de Saúde.


Depois do anúncio da sua indicação, Linda fez um postagem no twitter: “Minha mãe me ensinou a liderar com o poder da bondade e da compaixão para tornar o mundo um lugar melhor. Levei essa lição comigo ao longo de minha carreira no Serviço de Relações Exteriores - e, se confirmada, farei o mesmo como Embaixadora nas Nações Unidas”.


Para que a indicação de Linda Thomas-Greenfield se já efetivada precisa ainda da confirmação do Senado norte-americano.


DESTAQUES DA TRAJETÓRIA


Secretária de Estado Adjunta para Assuntos Africanos


Durante o segundo mandato do Presidente Barack Obama, Linda serviu como Secretário de Estado Adjunta para Assuntos Africanos dos EUA, desenvolvendo e gerindo a política do norte-americana em relação à África Subsariana.


Ocupando o cargo durante o surto de Ebola na África Ocidental de 2014 a 2016, ela liderou várias iniciativas que ajudaram a combater a doença mortal.


No entanto, ela se aposentou em setembro de 2017, quando se sentiu “visada como profissional” nos primeiros dias da administração Trump.


A diplomata tornou-se então vice-presidente sênior do Albright Stonebridge Group - é uma empresa global de estratégia de negócios com sede em Washington, criada em 2009 através da fusão das empresas de consultoria internacional The Albright Group e Stonebridge International.


Antes de sua função como Secretária de Estado Adjunta para Assuntos Africanos dos EUA, Linda foi uma importante autoridade de recursos humanos do Departamento de Estado.

Embaixadora dos EUA na Libéria


Linda Thomas-Greenfield serviu como embaixadora dos Estados Unidos na Libéria, de 2008 a 2012. Ela já tinha visitado o país da África Ocidental durante pesquisas de pós-graduação como estudante na Universidade de Wisconsin.


Depois foi uma das observadoras dos EUA na eleição presidencial liberiana de 2005, que acabou sendo vencida por Ellen Johnson Sirleaf - a primeira mulher eleita chefe de estado em África. Linda votou à Libéria como embaixador dos Estados Unidos três anos após a vitória de Sirleaf.


O prestígio do seu trabalho em solo liberiano, rendeu a Linda, ao final do mandato de embaixadora, o título de primeira Cidadã Honorária da Libéria e a distinção de Dama Grande Bando na Ordem Humana da Redenção Africana.

Professora da Bucknell University


Antes de iniciar uma carreira de relações exteriores no governo, Linda foi professora de ciência política na Universidade Bucknell, na Pensilvânia.


Crescendo na Louisiana e se formando no ensino médio em 1970, ela frequentou a Louisiana State University, enfrentando um profundo racismo durante seus anos de faculdade, tendo estudado com David Duke, um supremacista branco que se tornaria um líder da Ku Klux Klan.


Mais tarde, ela obteve um mestrado na Universidade de Wisconsin. Lá, ela também fez doutorado e depois passou a lecionar na Bucknell University antes de entrar para o Departamento de Estado, onde trabalhou na Suíça, Paquistão, Quênia, Gâmbia, Nigéria e Jamaica.


Foi durante seu tempo nas relações exteriores que ela escapou por pouco da morte em 1994, depois de chegar a Ruanda, na África, na véspera do início do genocídio. Detida por pistoleiros, ela foi poupada pelos assassinos do genocídio quando descobriram que era norte-americana, e não ruandesa.


Por uma maior diversidade no serviço diplomático

Linda foi recentemente co-autora de um artigo no Foreign Affairs - uma prestigiada revista científica norte-americana sobre relações internacionais. No artigo ela fala de como restaurar o Departamento de Estado, incluindo o apelo a uma maior diversidade nas fileiras do serviço diplomático.


Muitos analistas têm descrito a falta de diversidade dentro do corpo diplomático como “uma crise de segurança nacional”, argumentando que estudos mostram que organizações com mais diversidade têm sido mais eficazes e inovadoras.


(*) Com f2fafrica


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