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“AGORA É A HORA” DOS EUA PAGAREM 14 TRILHÕES DE DÓLARES DE REPARAÇÕES PELA ESCRAVATURA DOS NEGROS

  • Foto do escritor: TXV
    TXV
  • 3 de jun. de 2020
  • 3 min de leitura

RDD(*) - 03/junho/2020


A questão da reparação pela escravidão tem sido levantada por descendentes de escravos nas Américas e no Caribe há vários anos. A crença de que os americanos brancos devem aos negros americanos uma dívida moral, de compensação pela escravidão e o racismo de longa data tem sido constante desde a emancipação.

MAGNATA DA FUNDAÇÃO BET, ROBERT JOHNSON


Críticos de reparação dizem que seria difícil fazer cálculos justos quanto ao número de vítimas e de que forma pagar a dívida, considerando que já são passados muitos envolvidos. E embora as atitudes em relação à reparação da escravidão tendam a polarizar os EUA, o fundador da BET, Robert Johnson, acredita que "agora é a hora de ir em frente" com as reparações para ajudar a evitar que o país se divida em sociedades separadas e desiguais.


Em entrevista à CNBC na segunda-feira, Johnson disse que o governo dos EUA deve fornecer 14 trilhões de dólares em reparações pela escravidão para ajudar a reduzir a desigualdade.


COMO FOI FEITO O CÁLCULO


Na revista “Social Science Quarterly”, um pesquisador da Universidade de Connecticut, Thomas Craemer, estimou que as reparações custariam entre 5,9 trilhões de dólares e 14,2 trilhões de dólares.


A revista, citada pela Newsweek, disse que Craemer chegou a esses números ao calcular quantas horas todos os escravos trabalharam nos Estados Unidos desde quando o país foi oficialmente estabelecido em 1776 até 1865, quando a escravidão foi oficialmente abolida.


Em seguida, ele multiplicou o tempo de trabalho por preços salariais médios na época e, em seguida, uma taxa de juros composta de 3% ao ano para calcular o valor da reparação.


"As reparações nunca trarão uma vida de volta (...), mas ter um símbolo significativo de reparações é uma coisa boa, não só para os beneficiários, mas para as pessoas que as proporcionam", disse Craemer.


MORTE DE GEORGE FLOYD RESSUSCITOU O ASSUNTO


Seus comentários vêm na sequência de protestos em todos os Estados Unidos que se concentraram em grande parte na injustiça racial, na divisão da riqueza e na brutalidade policial após a morte do negro desarmado George Floyd, nas mãos de um policial branco.


O filantropo de 74 anos argumentou que pagar reparações ou o que ele chama de "programa de ação afirmativa de todos os tempos", demonstraria que os americanos brancos reconhecem "danos que são devidos" pelas injustiças criadas pela escravidão. Ele faz referencia A negação de acesso à educação, que é o principal motor de acumulação de renda e riqueza.


"Os danos são um fator normal em uma sociedade capitalista para quando você foi privado de certos direitos", disse ele. "Se esse dinheiro vai para os bolsos como os cheques de estímulo [atribuidos aos cidadãos norte-americano no combate ao coronavírus]... esse dinheiro vai voltar para a economia", na forma de consumo, acrescentando que também haverá mais empresas de capital negro.


Dados da “Federal Reserve” mostram que as famílias negras e hispânicas têm consideravelmente menos riqueza do que as famílias brancas. Em média o patrimônio líquido das famílias negras é 15% inferior ao das famílias brancas - 17.600 dólares e 138.200 dólares, respectivamente.


Johnson, que vem apoiando a ideia de reparações há algum tempo, disse que não está defendendo "programas mais burocráticos que não se executam". "Estou falando de dinheiro". Nós somos uma sociedade baseada na riqueza. Essa é a base do capitalismo", acrescenta o magnata.


O TEMA FAZ PARTE DA PAUTA DOS DEMOCRATAS


O tema das reparações da escravatura foi manchete no ano passado, quando as esperanças presidenciais democratas começaram a jogar seu peso por trás dessa idéia.

A senadora americana Elizabeth Warren, que anunciou seu total apoio às reparações para os negros norte-americanos afetados pela escravidão, disse em fevereiro passado: "Devemos enfrentar a história sombria da escravidão e da discriminação sancionada pelo governo neste país que tem tido muitas conseqüências, inclusive minando a capacidade das famílias negras de construir riqueza na América, por gerações".


(*) Com f2fafrica

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