ADOLF HITLER “APARECE” NA ÁFRICA E VENCE AS ELEIÇÕES NA NAMÍBIA, ONDE A ALEMANHA FEZ UM GENOCÍDIO
- TXV
- 3 de dez. de 2020
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TXV(*) – 03/dezembro/2020

Adolf Hitler Uunona recebeu o nome em homenagem ao líder nazista, mas seu pai não tinha ideia das atrocidades do alemão.
Um político namibiano, que tem o nome em homenagem ao infame líder do Partido Nazista Alemão, Adolf Hitler, conquistou uma cadeira de representante da sua região, de forma convincente, nas eleições realizadas recentemente no seu país, a Namíbia, no sudoeste africano.
De acordo com o Evening Standard, Adolf Hitler Uunona, um membro do partido SWAPO, que está no poder, obteve 85% dos votos para assumir o cargo de conselheiro do Constituinte Ompundja, na região de Oshana. Em conversa com a agência de notícias alemã Bild, após sua vitória decisiva, Adolf disse que seu nome não significa que ele está "lutando para dominar o mundo".
“O fato de eu ter esse nome não significa que quero conquistar Oshana”, disse ele, referindo-se à sua região na Namíbia.
O político revelou que seu pai, sem saber das atrocidades do líder nazista e do que ele representava, o batizou em homenagem a Hitler - o homem que planejou o assassinato em massa de cerca de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.
“Meu pai me deu o nome desse homem. Ele provavelmente não entendia o que Adolf Hitler representava", disse o Hitler namibiano, acrescentando que conheceu a identidade real do homem que lhe deu o nome durante sua adolescência.
“Quando criança, eu o via como um nome totalmente normal. Só quando era adolescente eu entendi que esse homem queria conquistar o mundo inteiro ”, disse ele.
E“Era um nome perfeitamente normal para mim quando eu era criança. Foi só quando fiquei mais velho que percebi que este homem queria subjugar o mundo inteiro e matou milhões de judeus”, disse ao Bild.
Questionado sobre por que não mudou de nome, o homem de 54 anos disse que é um pouco tarde, pois está em todos os documentos oficiais, relatou o Africanews.
O político, porém, disse que omite Hitler de seu nome e prefere usar Adolf Uunona ao se identificar para o público. Uunona disse que o nome Adolf era comum no país quando eles estavam sob administração da Alemanha – a ex-potência colonizadora da Namíbia.
A Alemanha tem feito esforços para expiar os atos de violência contra sua ex-colônia, mas ambas as partes ainda não entraram em acordo. É amplamente relatado que as tropas alemãs massacraram mais de 75.000 namibianos, principalmente das tribos herero e nama, entre 1904 e 1908.
Muitos a denominaram como “uma campanha de extermínio racial e punição coletiva” que a Alemanha empreendeu contra os africanos que se rebelaram contra o autocrático regime colonial alemão. Também houve relatos de campos de concentração onde os colonialistas realizavam extermínios e experiências científicas com os povos tribais. No “Relatório Whitaker” de 1985, as Nações Unidas reconheceram os dois massacres da Namíbia como “uma tentativa de exterminar o povo Herero e Namaqua”.
Em 2004, a Alemanha reconheceu os assassinatos, mas rejeitou os pedidos de compensação financeira para as vítimas e seus descendentes. Em 2015, o governo alemão declarou os eventos como um "genocídio" e "parte de uma guerra racial".
Em agosto, a Namíbia recusou a oferta do país europeu de indenização pelos assassinatos em massa, com o presidente Hage Geingob dizendo que a oferta "não era aceitável".
(*) Com f2fafrica
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