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A ÁFRICA E OS AFRICANOS DIANTE DO NOVO CORONAVÍRUS

  • Foto do escritor: TXV
    TXV
  • 28 de fev. de 2020
  • 2 min de leitura

RDD(*) - 28/Fevereiro/2020


“Etnias e genética não têm qualquer influência na recuperação do vírus, e as pessoas de pele negra não têm mais anticorpos do que as que têm pele branca”, disse Amadou Sall, diretor do Instituto Pasteur no Dakar, Senegal.



Não há registros de que os próprios médicos que o trataram tenham afirmado que a recuperação do paciente se tenha devido à sua composição genética.


O Egito foi o primeiro país africano a confirmar um caso de coronavírus, e a verdade é que não tem havido um contágio tão grande no continente africano como tem acontecido no asiático e na Europa. Até agora, além de um caso no Egito, foram apenas registados mais um caso na Nigéria e outro na Argélia.


Mas isso deve-se à maior resistência da pele negra? Não. Em primeiro lugar, segundo a Organização Mundial de Saúde, o novo coronavírus pode ser contraído por qualquer pessoa que tenha esta na proximidade de pessoas infetadas, através das gotículas que expulsa quando tosse ou espirra; ou que tenha tido contacto com superfícies ou objetos usados por pessoas infetadas.


Ou seja, qualquer pessoa pode ser infetada, independentemente da cor da pele. A forma como cada organismo reage ao vírus é que varia consoante a maior ou menos debilidade do sistema imunitário. Portanto, não há qualquer indício científico de que a composição genética africana seja mais resistente.


Em todo o caso, o que se sabe depois de décadas de investigação sobre o tema é que os africanos têm o material genético mais diverso do mundo. Ou seja, a composição genética das pessoas dos outros continentes é uma espécie de “subconjunto da diversidade genética africana”, como garantem os investigadores responsáveis pela criação daquilo que ficou conhecido como o maior banco de genoma de África. Logo, se uns são subgrupos de outros, não há qualquer indício de que a composição genética de uns seja mais resistente do que de outros.

Amadou Sall, do Instituto Pasteur no Dakar, Senegal.


Também o diretor do Instituto Pasteur no Dakar, Senegal, contactado pela agência noticiosa France Press, garante que a ideia de que a pele negra é mais resistente ao novo Covid-19 é “falsa”. “Não há evidência científica para sustentar esse rumor”, disse Amadou Alpha Sall, que dirige aquele que é o instituto responsável por analisar os casos suspeitos do novo coronavírus em África.


“Etnias e genética não têm qualquer influência na recuperação do vírus, e as pessoas de pele negra não têm mais anticorpos do que as que têm pele branca”, disse Amadou Sall à AFP, lembrando que há muita “desinformação” em torno do novo surto.


Com Observador.pt

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