A ATIVISTA QUE TERÁ LEVADO 800 MIL ELEITORES ÀS URNAS NA GEÓRGIA VIRANDO À FAVOR DOS DEMOCRATAS
- TXV
- 8 de nov. de 2020
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TXV (*) – 08/novembro/2020

A advogada Stacey Abrams, de 46 anos: mais de 800 mil novos eleitores na Geórgia; 49% são negros e 45% têm menos de 30 anos.
No estado da Geórgia, o desempenho do candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, que já está eleito para o cargo, é considerado um feito. Isso porque o estado é considerado tradicionalmente um reduto republicano. A última vez em que um democrata levou os 16 delegados do Estado foi em 1992, quando Bill Clinton foi eleito presidente.
Parte do desempenho em 2020 tem sido atribuído à mobilização de ativistas que nos últimos anos têm se dedicado a aumentar a participação de eleitores negros e de outros grupos minoritários nas urnas. O voto nos EUA não é obrigatório.
Um dos expoentes desse movimento é a advogada Stacey Abrams, de 46 anos. Candidata ao governo do Estado em 2018, ela perdeu por uma pequena margem de votos para o então candidato republicano, Brian Kemp, após um processo tumultuado de contagem de votos, que se estendeu por dias.
Na época, Stacey Abrams acusou a campanha do adversário, que fora secretário do Estado, de trabalhar para suprimir o voto de minorias.
Um ano antes, a Geórgia havia aprovado uma lei, batizada de “exact match law”, que determinava que os nomes dos eleitores nas listas de votação deveriam ser exatamente iguais àqueles contidos nos documentos de identificação estaduais. Se houvesse um hífen ou um acento diferente, o cidadão seria impedido de votar até que fossem realizadas verificações adicionais. Grupos que atuam pelos direitos civis chegaram a entrar na Justiça na época contra a legislação, mas, por causa dela, os registros de 53 mil eleitores, sendo 70% deles negros, foram suspensos.
Pelo menos desde 2013, quando criou o “New Georgia Project”, Stacey atua para aumentar a participação desses grupos entre os eleitores registrados.Vista como enclave de eleitores brancos conservadores, a Geórgia tem passado por uma transformação demográfica na última década.
Segundo o site da organização, a população cresceu 18%, graças ao aumento da participação de negros, jovens com idade entre 18 e 29 anos e mulheres solteiras. Esses grupos compõem 62% da população com idade para votar, mas apenas 53% dos eleitores são registrados, diz a plataforma.
Após a derrota em 2018, Stacey ampliou sua atuação e fundou a organização Fair Fight (Luta Justa), que passou a denunciar o que eram vistas como falhas no sistema eleitoral americano e a incentivar minorias e eleitores jovens a exercerem o direito ao voto.
Em uma entrevista à rádio NPR em 2 de novembro, às vésperas da eleição, Stacey afirmou que, nos últimos dois anos, a organização conseguiu registrar mais de 800 mil novos eleitores na Geórgia. Do total, 49% são negros e 45% têm menos de 30 anos.
Ela nasceu no Estado de Wisconsin, cresceu no Mississipi e, aos 16 anos, mudou-se para a Geórgia com os cinco irmãos e os pais, que iam cursar teologia na Universidade Emory para se tornarem pastores.
Formou-se na faculdade Spelman, em Atlanta, historicamente cursada por mulheres negras, graduando-se com menção honrosa. Depois, graduou-se em políticas públicas na Universidade do Texas em Austin e tornou-se bacharel em Direito pela prestigiada Universidade Yale.
A advogada foi deputada estadual por 11 anos, entre 2007 e 2017, sendo líder democrata durante sete. Em paralelo à carreira política, ela também se dedicou à literatura.
Sob o pseudônimo de Selena Montgomery, escreveu diversos livros de ficção e, com seu nome original, publicou recentemente duas obras de não ficção: o manifesto político “Our Time is Now” (Nosso tempo é agora), lançado em 2020, e “Lead from the Outside” (Como liderar do lado de fora), de 2018.
Em uma entrevista à revista do New York Times em 2019, quando questionada se tinha vontade de se desligar um pouco da vida política para se dedicar a escrever, ela respondeu: "Adoraria, mas o que me move agora — e o que o momento pede — é que eu tente descobrir como eu posso, da maneira mais eficiente possível, preservar e melhorar nossa democracia e desafiar as políticas que continuam agravando a pobreza".
(*) Com BBC News
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